terça-feira, 7 de setembro de 2010

MEU PRIMEIRO AMOR

Que atire a primeira pedra aquele que disser que não se lembra do seu primeiro amor. Aquele amor de infância, sadio, puro. Que você jurava um dia casar com ele e ter dois filhos. Ok, eu queria ter quatro, mas quem me conhece sabe que eu sou exagerada em tudo o que faço.

Lembrar do seu primeiro amor pode até ser engraçado, pois hoje, talvez, você perceba que nunca daria certo mesmo. Talvez você nem saiba onde ele está hoje. Se está casado, com filhos, se virou gay, ou se ainda mora ao lado da sua casa.

O problema é quando nosso primeiro amor ressurge, e vira nossa cabeça e acelera o coração.

Eu posso dizer alto e em bom som que tive um grande amor, que foi o primeiro, que eu jurava que ia casar com ele, mesmo ele sendo meu oposto, sendo fresco e meio pretinho (sei que ele ta rindo agora rs).

Tudo começou em meados de 1990, quando fui estudar em um colégio que sua mãe era diretora. Claro que não vou lembrar datas, nem situações vividas com ele. Até porque eu era mais velha, não estávamos na mesma classe, e consequentemente não éramos amigos. Mas por ironia do destino, a minha melhor amiga era prima dele.

Sempre fui idiota quando o assunto é paixão. Sempre fantasiei situações e histórias. Sempre criei algo que estava longe de acontecer. Sempre me fodi!

Lembro que ficava horas assistindo aos vídeos de apresentações do final de ano para vê-lo, ou colocava a foto dele debaixo do meu travesseiro e pedia pro Papai do céu que ele gostasse de mim. Como uma criança de 4, 5 anos faz isso? Desde pequena não era normal. Bom relembrar isso, assim trabalho bastante esse meu jeito idiota de ser. Idiota não, APAIXONADA! Da licença, tenho mil defeitos, mas entre as minhas varias qualidades posso dizer que SOU uma mulher apaixonada. Se fizer um flashback da minha vida, não lembro um se quer momento em que estive sem ninguém no coração. Pode ser uma pessoa, um cachorro, uma situação vivida. Não estive apaixonada durante um período, EU SOU APAIXONADA! Inclusive por mim! Me amo!

Enfim, o destino nos colocou cada um de lado, já que eu morava em Santa Bárbara e ele em Americana. Tudo bem que era do lado, but... E durante oito anos, OITO ANOS, eu nunca mais ouvi nem vi o meu primeiro amor. Mesmo sendo amiga da prima dele, nunca mais tive notícias, até porque, depois de um tempo, me afastei da prima também, e seguimos caminhos diferentes.

Em janeiro de 2000 minha mãe decidiu me colocar num colégio particular em Americana. Contra minha vontade, é claro, mas eu fui. Confesso, foi o ano que mais vagabundei na minha vida. Nunca entrava na aula, dizia pro inspetor que ia à papelaria e matava aula, pulava o muro do colégio, jogava bexiga com água no professor, apanhava dos meninos da minha sala e sempre, SEMPRE era mandada pra fora da sala de aula e vivia na diretoria. Claro que meu primeiro colegial não rendeu bons frutos e reprovei para o orgulho geral da família Matarazzo. Quanto sermão, quanta bronca, quanta encheção de saco...

Ok! Admiti o erro e pedi pra minha mãe me mandar para um colégio interno. (Eu sei que vocês estão rindo agora, mas é verdade). Foi vergonhoso repetir um ano no colégio, tudo bem que não foi só eu, mas também meus amigos de farra. Wi, Bruno e outros que não lembro o nome.

Minha mãe já estava noites sem dormir, inconformada que a filha dela tinha levado um pau no colégio. Isso NUNCA aconteceu na minha família. E eu tive que escutar por anos e anos que era a estranha, a rebelde, a ovelha negra. Meus primos eram o exemplo, nunca ficaram para recuperação. Um era o melhor aluno da sala, a outra estudou na Universidade Estadual de Londrina, o outro era um crânio e super responsável, e eu um gênio da mentira e da maldição. Planejava vinganças, falsificava assinaturas, mentia o DIA TODO! Que Deus me perdoe, mas que meus filhos não puxem a mim!

Eu passava pelos corredores da minha casa e via minha mãe pensando onde colocaria sua filha retardada para estudar. Eu insistia no colégio interno, e um dia ela decidiu ir até o meu colégio e pedir uma chance ao diretor, para que eu fizesse uma prova geral, e caso passasse, iria para o segundo colegial. Ele não cedeu, pois eu havia reprovado em TODAS as matérias. Menos literatura e artes. (Quando eu falo que nasci para ser atriz ninguém acredita). Minha pobre mãe saiu triste do colégio e ao mesmo tempo revoltada que o diretor não quis dar uma chance para eu mostrar que sou capaz. Então ela decidiu me colocar num colégio mais difícil, mais rigoroso, mais foda de Americana. E literalmente ela fodeu com a minha vida, mas essa é outra história.

Pois bem, começo das aulas, novo colégio, novos amigos, e de repente meu primeiro amor estava lá. Moreno, alto, bonito e sensual, o mesmo sorriso e eu amoleci. Era tão bom ir ao colégio! Estudar dessa vez ficou interessante. Quero dizer, estudar não, só ir de corpo presente. E pela primeira vez nós ficamos. Que beijo, que abraço.

Claro que não durou um mês. Éramos muito novos. Ainda tínhamos uma vida pela frente, pessoas a conhecer e se relacionar. Porém foram três anos no mesmo colégio, nos vendo todos os dias. E foi quando me dei conta e percebi que era ele que eu queria passar o resto da vida, dividir histórias, companheirismo, etc.

Em janeiro de 2003, volta às aulas, ele ressurge LINDO, um homem! E como todo lindo homem, ele também tinha uma linda namorada! Cacete, por que eu não fiquei com ele desde o primeiro beijo, agora ia ser difícil reconquistá-lo. Ela era muito mais linda que eu, mais velha, mais interessante. Sofri, chorei, mas passou e resolvi viver minha vida e conhecer pessoas novas. Nos víamos todos os dias, e todas as manhãs ainda dava aquele frio na barriga, mas eu também tinha meus rolos e por isso não vivi aquela dor da paixão não correspondida.

Final de ano e vamos para a faculdade. Novamente cada um seguiu seu caminho. Rumos diferentes e cada um no seu quadrado. Mas o destino sempre foi engraçadinho comigo. Sempre me pregou peças e me deixou de saia justa.

Dezembro de 2006, festa de final de ano. Todo mundo bêbado êêêêêê! E la se vai eu e meu primeiro amor pra mais um capítulo dessa novela mexicana. Maria do Bairro perde fácil pra mim! Mal sabia que dessa vez ia perder a cabeça, que a paixão ia falar mais alto, que ia surtar e que talvez amei alguém quem nem saiba disso.

Um ano e dois meses de paixão, brigas, companheirismo, amizade, respeito, carinho e muito amor. Da minha parte sim, e foi verdadeiro. Volto a ressaltar meus defeitos, mas minha maior qualidade sem duvidas é a honestidade, e foi um ano e dois meses pulsando um coração pra uma única pessoa. Já vivi paixões avassaladoras, enlouquecidas, porém doentias. Com ele foi tão puro, tão saudável e tão verdadeiro.

Muitas vezes me pego pensando: “Será que é ele?” Nunca esqueci o sorriso, o beijo. E nunca antes de dormir, deixo de pedir para Deus proteger seu caminho, suas escolhas, e que se não for comigo, que ele encontre uma mulher que o faça realmente feliz, porque ele mais do que ninguém merece ser feliz pro resto da vida.

E eu sigo em frente...

2 comentários:

  1. E foi assim q vc pegou meu namorado qdo a gente tava no 1o colegial, sua vaca?????? Kkkkkkk
    beijosss
    Ve

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  2. HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA esqueci desse detalhe! Mas não FUI EU! Foi ele! Vai brigar com ele, nao comigo! Eu tava na minha... hahahahahaha

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