Há exatamente um ano eu vivi a dor da saudade!
Quem gosta de cachorro, ou tem um, sabe do que vou falar agora.
Essa relação que tenho com os animais vem dos meus avôs, bisavôs, e dos meus pais que me ensinaram a respeitar qualquer ser vivo. Eu me identifiquei com os animais.
Eu já contei minha história com a Marô, quando nos conhecemos pela primeira vez, no post “Meu único e verdadeiro amor”. Também já contei da minha dor e saudade que hoje restou. Também devo ter dito dos bons e engraçados momentos que passamos juntas. O que eu não disse foi sobre minha dor no dia de sua partida.
A Marô estava com câncer no sistema linfático, descoberto em agosto de 2009. Foram dias de luta e mais luta. Quimioterapia, remédio para o fígado, exame de sangue de 15 em 15 dias e mais uma bolada de exames e precauções. Nesse tempo foram feitas três cirurgias (se não me engano) de retirada de tumor. Pra minha preocupação e angustia esse tipo de câncer não tem cura, e fui avisada que ela tinha de quatro a oito meses de vida. NUNCA acreditei nisso. Acreditava em Deus!
Com o passar do tempo, a Marô já tava ficando cansada, não tinha mais aquele pique típico de labrador, ela estava se desgastando. Já não comia mais, apesar de ter muita fome. Tudo tinha que ser triturado e misturado com água para facilitar, já que ela engasgava muito. A Marô era bem gordinha, pesava uns 45kg, e lembro que o veterinário proibiu de dar porcaria para que ela não ficasse obesa. Nos seus últimos dias de vida, eu contei para o veterinário que misturava a ração dela com água, e ele me disse: “Misture com leite, ela vai adorar!” E eu questionei que leite tem gordura, e ele mesmo dizia que ela não podia ficar obesa. A resposta dele foi bem objetiva: “Vamos deixar ela curtir um pouco!” Ou seja, já que ela ta morrendo, vamos dar o que ela sempre quis. Isso foi um tapa na cara pra mim!
Sempre que a Marô ia fazer uma cirurgia (e ela fez muitas) o procedimento era cansativo, pra mim, pra minha mãe e pra ela. Ela tinha que ficar 12 horas em jejum, sem nem beber água. Nós levávamos para a clínica por volta das 11h, assim ela tomava todos os medicamentos e a cirurgia começava em torno das 13h. Como a Marô sempre foi uma cachorra que só pensava em comer, ela já sabia o horário do café da manhã, do almoço e da janta. Era um pecado ver aquela carinha morrendo de fome. A gente tinha que disfarçar e comer escondido pra ela não perceber e não ficar com vontade.
No seu último dia de vida, quando ia fazer uma cirurgia para retirar nódulos de gordura, causados justamente por causa da quimioterapia, ela ficou quietinha, sem eu nem precisar comer escondido. A Marô dormiu a manhã toda, até a hora de levá-la a clínica. Parece até que ela sabia que aquele era o último dia.
Como sempre fazia, o Dr. Alexandre (que cuidava carinhosamente da Marô, além do incomparável profissionalismo) me ligava por volta das 15h dizendo que havia acabado a cirurgia e que assim que ela acordasse da anestesia, eu poderia ir buscá-la. Nesse dia ele não ligou...
Eu estava super confiante, porque nos seus longos sete anos de vida, a Marô já tinha passado por volta de umas seis cirurgias. Essa parecia ser a mais simples.
Por volta das 16h, eu já estava em prantos, e liguei no consultório para ter notícias da Marô. NINGUÉM quis me atender, a recepcionista só chorava e dizia que depois me ligava. Eu percebi que algo errado estava acontecendo. Liguei novamente e pedi para falar com a Andréa (um anjo nas mãos da Marô), ela chorava muito a ponto de não conseguir entender o que dizia. Só lembro da parte: “Não tem mais o que fazer!” Eu me desesperei e liguei pra minha mãe. Em alguns minutos estávamos na clínica, para a surpresa do Dr. Alexandre. Ele, a Dra. Nana e a Dra. Mirela nos receberam na sala, todos com os olhos vermelhos e foram bem claros: “Quando eu a abri para retirar o tumor, logo fechei, pois não tem mais nada pra fazer!” Era um pesadelo ouvir aquilo. Minha cachorra ainda respirava, andava. Eu não tinha coragem de sacrificá-la.
Enquanto ele explicava, eu só pensava nela, na dor que ela sentia, no quanto ela foi forte durante todo esse tempo e no quanto ela foi a companhia perfeita pra mim durante sete anos.
Levamos a Marô até a sala, enquanto o Dr. Alexandre explicava o procedimento ela sentou do meu lado e me olhou no fundo dos olhos. Ela sabia que ia embora, mas ela também sabia que alguém aqui a amou muito. Depois a colocamos deitada na mesa, ele anestesiou, me deixou alguns minutos conversando com ela e logo aplicou uma injeção, que em segundos minha princesa me deixou ali, desamparada, sentindo uma dor que nunca senti na vida, inconsolável.
A volta pra casa foi difícil. Um caminho longo, sem fim. Nunca voltava da clínica sem a Marô, aquele dia eu voltei sem chão, sem ninguém.
Muita gente torcia pela cura da Marô. Ela era uma querida! Chegando em casa fiz questão de avisar aos amigos que estavam preocupados e que acompanhavam essa difícil doença. Decidi escrever um e-mail (segue abaixo). E tive respostas fantásticas. Amigos incríveis.
“AOS MEUS AMIGOS:
Desde 18 de agosto que minha vida tem mudado. Não saio mais, e quando saio deixava minha cabeça e meu coração em casa. Desde 18 de agosto que eu durmo no sofá da sala, o que resultou uma forte dor nas costas. Desde 18 de agosto que meu coração ta apertado e a cada dia que passava eu achava que não ia suportar mais um dia.
No dia 18 de agosto, minha cachorra, minha companheira e minha vida estava com um tumor no linfonodo. Depois de alguns exames foi detectado que este era maligno, e o câncer dela era no sistema linfático, e que não havia cura. Com isso surgiram outros e então tomamos a iniciativa de fazer quimioterapia. Mesmo com a quimio algumas coisas não estavam a nosso favor, e no dia 6 de outubro, a Maria Eugênia, ou Marô para os íntimos, tirou outro tumor. E assim foi minha vida por 3 meses. Levando-a uma vez por semana no veterinário para fazer quimio, ou alguns dias a mais, quando ela não tava bem ou quando tinha problema no fígado. O veterinário me disse que ela tinha de 4 a 8 meses de vida, mas eu nunca acreditei nisso, pois a decisão vem lá de cima. Imaginem que alguém pode prever a data de nossa morte. Se o homem é tão ignorante a ponto de não descobrir a cura de uma doença, como ele tem o poder de saber a nossa expectativa de vida?
A Marô é incrível... tinha dias que ela não tava bem, e ficava o dia inteiro deitada, nem queria comer, coisa rara. No outro dia, parecia um milagre, ela já tava fazendo suas artes, comendo e aprontando de tudo um pouco. Com o passar do tempo, os tumores foram aumentando e ela ficando mais fraquinha. Mas eu nunca perdi a minha fé.
Hoje, 16 de novembro, ela ia tirar 7 tumores da pata. Cirurgia simples, segundo o veterinário. Hoje, fui ao veterinário acompanhada e voltei sozinha. Tive que tomar a pior decisão da minha vida. Cheguei lá e ela veio me receber abanando o rabo, com sorriso no rosto e feliz... mas o veterinário só tirou um tumor, pois quando abriu percebeu que a doença já tinha tomado conta do corpo inteiro e já havia chegado aos ossos.
Apesar da dor, eu e minha mãe decidimos que ela fosse pra perto de Deus, e em segundos ela me deixou alí... na mesa da clínica. A dor é demais, porque ela foi a melhor amiga que eu tive, a melhor companheira, o meu despertador de domingo as 6h da manhã, aquela que eu dividia tudo o que eu ia comer, aquela que dava cheirinho e destruía todos os brinquedos que eu comprava.
Hoje, 16 de novembro, ela ia tirar 7 tumores da pata. Cirurgia simples, segundo o veterinário. Hoje, fui ao veterinário acompanhada e voltei sozinha. Tive que tomar a pior decisão da minha vida. Cheguei lá e ela veio me receber abanando o rabo, com sorriso no rosto e feliz... mas o veterinário só tirou um tumor, pois quando abriu percebeu que a doença já tinha tomado conta do corpo inteiro e já havia chegado aos ossos.
Apesar da dor, eu e minha mãe decidimos que ela fosse pra perto de Deus, e em segundos ela me deixou alí... na mesa da clínica. A dor é demais, porque ela foi a melhor amiga que eu tive, a melhor companheira, o meu despertador de domingo as 6h da manhã, aquela que eu dividia tudo o que eu ia comer, aquela que dava cheirinho e destruía todos os brinquedos que eu comprava.
Quero agradecer a todo mundo que me mandou energias e pensamentos positivos. Que oraram por ela. Quero agradecer ao meu pai, por ter me dado o melhor presente que já ganhei. Quero agradecer a minha mãe que aceitou ela como membro da família e a amava mais que suas próprias filhas. Quero agradecer a todos meus amigos e amigas que compreenderam quando eu não saía pra ficar com ela. E aos que não compreenderam pq diziam que eu não podia ficar em casa por causa de uma cachorra, um dias vcs vão saber o que é amor, e vão lembrar de mim. Quero agradecer a Deus, pelos momentos perfeitos que eu vivi ao lado dela durante esses 7 anos, e apesar de muitas vezes eu tê-lo criticado pelo fato de ela ter uma doença incurável, sei que todas as vezes, Ele estendeu a Sua mão e consolou minha alma.
A Marô foi o melhor presente que eu ganhei, e a melhor amiga que eu tive! O amor que sinto por ela, não acabou aqui!"
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