Quando eu tinha 13 anos eu encanei que tinha orelha de abano e decidi ir a um médico para ver isso e resolver o problema com uma cirurgia plástica. Eu fui, mas claro que meus pais não aprovaram a idéia, porque eu ainda era uma criança e eles falavam que isso era coisa da minha cabeça. Aos 20 anos eu tomei a decisão e operei a orelha.
Como eu sabia que a recuperação era difícil e o resultado da cirurgia era o pós operatório, resolvi não receber visitas pra não acontecer nada ruim e não me arrepender futuramente. Eu não podia falar, sorrir, mastigar. Tinha que dormir de barriga pra cima e com uma faixa na orelha.
Lembro que quando acordei da anestesia minha mãe estava ao meu lado chorando e meu pai com cara de assustado. Havia uma enfermeira pedindo pra eu levantar um pouco do travesseiro porque ela iria trocar a fronha. Quando olhei, a fronha estava cheia de sangue. Foi horrível e não parava de escorrer. E o pior, que nada podia ser feito, pois o corte já estava fechado. Esperamos mais um pouco e o sangue parou.
Fui pra casa, ainda meio tonta, com medo daquele sangue voltar a escorrer no meu pescoço e com receio, pois sabia de todo o cuidado que eu tinha que ter.
Chegando em casa depois de passar 12 horas no hospital, tinha uma pessoinha me esperando e pronta pra cuidar de mim. Minha Maria Eugênia estava desde a hora que saí, na porta, ansiosamente esperando eu voltar. Minha mãe não deixou ela ficar muito próxima, já que estava com pontos e tinha acabado de passar por um cirurgia. Lembro que ela disse: “Marô, da um beijo na Bibi e fala pra ela ficar boa logo pra vocês brincarem!” Ela saiu do quarto com uma cara de cachorro abandonado.
Foi questão de cinco minutos e minha mãe se distraiu. A Marô deu meia volta e colocou a cabeça na minha cama, me olhou com aquele olhar de “fica boa, eu preciso de você” e deu uma gemida, um choro.
Quando eu tinha 20 anos, eu descobri a melhor amiga que eu tive na vida! E quantas vezes eu disse nos últimos tempos: FICA BOA, MARÔ! EU PRECISO DE VOCÊ!
Hoje a minha saudade tem nome, cor e raça! E dói demais...!

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